Oca tem buscado popularizar a agroecologia e a permacultura com jovens em Piracicaba/SP.

Oficinas ocorreram em Agosto e Setembro na Estação Experimental de Tupi.

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Grupo no Mutirão do SAF – Foto: Bruno Fernandes

Diante de um cenário complexo e de crise no Brasil é evidente a necessidade de outro modelo de desenvolvimento no país. Os impactos causados pelas ações do agronegócio e produção industrial desenfreada revelam um modelo de desenvolvimento tecnológico que visa somente o ganho financeiro, pouco distribui renda e impacta fortemente os ecossistemas brasileiros.

É necessário repensar a lógica de produção e consumo em nossas sociedades. Neste sentido, a Oca tem se debruçado no desafio de articular a dimensão “ensino, pesquisa e extensão” visualizando a transição para sociedades sustentáveis por meio da atuação de seus subgrupos e respectivos (as) educadores (as).

A Oca é uma das parceiras do programa “Jovens, Meio Ambiente e Integração Social” idealizado pela educadora Ondalva Serrano e desenvolvido no município de Piracicaba/SP na Estação Experimental de Tupi. Tendo sido uma das responsáveis pela construção do núcleo no município, a Oca teve participação ativa também nos últimos meses por meio de duas oficinas temáticas: “Sistemas Agroflorestais (SAF)” e “Permacultura e Saneamento Ambiental”.

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Aquecimento do grupo para a Oficina de SAF – Foto: Bruno Fernandes

As oficinas tiveram como objetivo provocar os jovens a refletir sobre o modelo de desenvolvimento, produção e consumo abordando principalmente a integração humana com a natureza (que hoje é muito fragilizada), bem como, uma nova ressignificação para a vida rural e da produção alimentícia no Brasil.

O Educador João Pedro Menezes conduziu a oficina de Sistemas Agroflorestais (SAF) no dia 22 de Agosto. A atividade contou com uma roda de conversa sobre os modelos produtivos e as múltiplas possibilidades de interação entre produção e conservação das florestas. Em seguida o grupo trabalhou coletivamente para implantar uma pequena unidade demonstrativa de SAF na Estação, e deverá também se responsabilizar pela manutenção e cuidados.

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João Pedro orientando o grupo sobre o plantio – Foto: Bruno Fernandes

Segundo Menezes a oficina foi importante no sentido da popularização dos conceitos e técnicas do SAF, e da construção de conhecimentos entre a universidade e a comunidade. “É o caminho mais coerente para resgatar saberes que estamos perdendo, como plantar e colher. É preciso resgatar a habilidade e disposição para executar trabalhos manuais, ainda mais com uma tecnologia de produção que está a serviço da transição para sociedades sustentáveis” afirmou ele.

No dia 19 de Setembro a oficina de “Permacultura e Saneamento Ambiental” foi conduzida pelas educadoras Gabriela Ramos e Paula Nery e pelo educador Bruno Fernandes que trouxeram reflexões sobre as bases da permacultura e a questão da água e saneamento ambiental no Brasil.

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Paula e Gabriela conduzindo a atividade prática sobre permacultura – Foto: Bruno Fernandes

Segundo Ramos as atividades, provocações e reflexões foram muito enriquecedoras, especialmente no sentido político de tomar consciência da nossa responsabilidade e potencialidade de transformar nossas mentes e ambientes. “Acredito que o encontro foi muito importante para a formação de jovens, que podem encontrar na permacultura a “desculpa perfeita” para escolher um caminho mais sustentável para a sociedade” afirmou ela.

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Materiais naturais utilizados na oficina de permacultura – Foto: Bruno Fernandes

Coordenadora do núcleo em Piracicaba a educadora Maria Luísa Palmieri comentou que as oficinas foram muito importantes para a formação integral e ecoprofissional dos jovens. “Na primeira oficina, eles tiveram a oportunidade de implantar um sistema agroflorestal e entender seu funcionamento, o que gerou grande interesse por parte deles. Na segunda o contato dos jovens com os princípios da permacultura têm grande relação com a educação integral, que embasa o programa, construindo reflexões sobre nosso relacionamento com nós mesmos, com os outros e com a natureza da qual fazemos parte.” Afirmou Palmieri.

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Maria Luísa, coordenadora em reunião de construção do núcleo – Foto: Bruno Fernandes

Neste contexto a Oca busca parcerias visando a intervenção educadora em diversos territórios. Além da dimensão “educadora ambientalista”, que move o coletivo na visão crítica e emancipadora, o fortalecimento da universidade pública (e sua função social) e a democratização dos saberes, são bandeiras levantadas constantemente pelo coletivo como resistência ao modelo hegemônico.

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