Ciclo de Diálogos Ecossocialismo ou Barbárie – edição Ribeirão Preto

No sábado, dia 27 de junho, com o tema Agricultura Ecológica: cultivando a terra, semeando saberes, o Memorial da Classe Operária e parceiros acolheram o quarto encontro do Ciclo de Diálogos Ecossocialismo ou Barbárie, que contou com a presença de participantes do município de Ribeirão Preto e região, abordando o tema.
O Ciclo de Diálogos é uma iniciativa do Laboratório de Educação e Política Ambiental – Oca / ESALQ-USP e do Núcleo de Apoio à Cultura e Extensão Universitária em Educação e Conservação Ambiental – NACE-PTECA, e consiste na oportunidade de manter um processo contínuo e com periodicidade que produza um movimento de reflexão e ação individual e coletiva, contribuindo com o fortalecimento da potência de ação de cada um e do coletivo, tendo como objetivo estimular e apoiar a realização de análises de conjuntura sobre o campo socioambiental e diálogos que potencializem a ação educadora e de transição para sociedades sustentáveis.
Denise Amador, do Projeto Arte na Terra, conversou sobre a importância da construção conjunta e do espaço de empoderamento como forma de refletir e interpor a barbárie à qual estamos submetidos, encontrando coletivamente outras formas diferentes e viáveis de produção e vida. Expôs sua experiência em agrofloresta e o trabalho de educação ambiental desenvolvido no Projeto. Falou também sobre a importância desse sistema de cultivo e o resgate do ser humano como ser biológico, além da necessidade de reconexão do homem com a natureza em contraponto ao que tem ocorrido nos sistemas de produção como a monocultura, que desencadeia o empobrecimento da terra.
Fulvio Iermano, do Movimento Slow Food, também enfatizou a desconexão do homem com a natureza destacando a necessidade de uma auto-análise sobre as incoerências individuais e a necessidade de repensar as atitudes, buscando a mudança do individual para o coletivo, com foco na coerência daquilo que se combate. Comentou que a educação é o caminho de redescoberta do coletivo, da cooperação e da preservação da diversidade. Destacou a necessidade da maior participação da sociedade civil nas decisões das políticas públicas e nos programas institucionais e formais existentes e mencionou algumas campanhas do Movimento Slow Food, como transgênicos, “slow fish” – a pesca predatória acabando com os oceanos, mortandade das abelhas, etc.
Vandeí Junqueira, do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, contou sua experiência e histórico do movimento nesta região, que culminou com o assentamento da Fazenda da Barra e especificamente o Assentamento Mário Lago. Falou do percurso, amadurecimento e processo educativo pelo qual os assentados passaram nestes anos desde o decreto da reforma agrária, da importância dos resultados de produção agroecológica, mudança do aspecto geográfico da área da antiga fazenda, da implantação do sistema agroflorestal, do respeito à preservação ambiental, plantio de área de reserva e discussão a nível nacional dos rumos do processo de produção no país. Destacou também que este processo resultou em mudanças de paradigmas e conceitos nos próprios assentados, através de programas de capacitação e parcerias com a sociedade civil.
Após todas as apresentações criou-se um espaço intitulado “bons encontros”, onde o grupo apresentou sobre os possíveis caminhos e espaços para a realização de ações educativas ambientais em nosso território, em busca de uma sociedade mais sustentável.
Foi sugerido pelas organizadoras a participação no encontro da Rede ProsEAndo de Ribeirão Preto como encaminhamento deste dia.
Houve também participação do MST com venda de produtos agroecológicos vindos do Assentamento Mário Lago, venda de camisetas dos parceiros, café com degustação de PANC (Plantas Alimentícias Não Convencionais) e esquete teatral.
Bate-papo com palestrantes.
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Assista aqui na íntegra aos diálogos realizados. Colaboração do Fuligem Ribeirão Preto:
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